Liderança e vulnerabilidade!

Habituamo-nos, ou habituaram-nos a que Liderança e vulnerabilidade estão dissociados. A imagem de que o Líder é forte, não erra, é seguro de si, etc. torna-se um dos maiores inimigos da liderança de excelência.

Recentemente, conclui a leitura do livro de Brené Brawn, A coragem de ser imperfeito. Brené Brawn é uma conhecida investigadora da vergonha, vulnerabilidade e liderança e que se tornou famosa depois de uma Ted Talk – The Power of vulnerability – em 2010 altamente visualizada.

Se por um lado, me senti teorizar algumas práticas, por outro li, nas linhas de um livro que se devora, alguns factos que, aos olhos da maioria das organizações, não passam de “teorias”, apesar de o não serem como tão bem demonstra o seu trabalho.

Afirma que é urgente reumanizar o trabalho!

Para quem, como é o meu caso, dedica a sua vida a trabalhar a cultura das organizações rumo a uma cultura de serviço, é impossível ficar indiferente quando escreve sobre “a forma fria como os Clientes tratam manicures, empregados de restaurante, etc… como se não fossem pessoas e não merecessem sequer serem olhados nos olhos!”. Acrescenta que quando tratamos as pessoas como objetos, estamos a desumanizar e é urgente parar de o fazer e olhá-las nos olhos quando falamos com elas.

Brené Brawn, neste trecho refere-se à forma como tratamos os outros no nosso papel de Clientes. O convite que faço passa por fazer essa mesma reflexão em relação à liderança e relacionamentos no trabalho.

Na sua óptica define Líder como “alguém que assume a responsabilidade de descobrir o potencial de pessoas e situações.  O termo nada tem que ver com posição, status ou quantidade de subordinados.” e sobre uma empresa diz “Uma empresa não é uma instalação física dentro da qual opera; é uma rede de pessoas que nela actua.”

O seu trabalho de investigação é tão vasto e tão profundo que se torna impossível, num só artigo, partilhar todo esse conhecimento e selecionar o que evidenciar na relação liderança e vulnerabilidade. Seleciono, por isso, o tema do feed-back que afirma estar ausente ou não bem feito nas empresas.

“…Ninguém é capaz de receber feed-back ou assumir responsabilidade por alguma coisa quando está a ser duramente criticado.”

“O feed-back tem sucesso em culturas em que a meta não é ficar à vontade com conversas difíceis mas normalizar o desconforto”.

E esse desconforto normalizado aplica-se à liderança, evidentemente. Torna-se, assim, fundamental, a passagem do controlo para o envolvimento com vulnerabilidade, assumindo riscos e cultivando a confiança. Como poucas pessoas estão dispostas a enfrentar o desconforto que é exigido a um líder, torna-se difícil encontrar boa liderança.

O bom Líder assume a coragem de ser autentico e quando somos autênticos temos que saber ficar vulneráveis encarando essa vulnerabilidade como uma força e não como a fraqueza que a sociedade e os anos nos fizeram acreditar que seria.

“Vale a pena a ousadia da diferença” é a frase que me acompanha desde o início da minha carreira. Acredito e vivo de acordo com este princípio, o que não imaginava é que mais de 2 décadas depois de a assumir iria ler aquilo que descrevo para finalizar esta reflexão:

“Em vez de nos sentarmos à beira do caminho e vivermos de julgamentos e críticas, devemos ousar aparecer e deixar que nos vejam. Isso é vulnerabilidade. Isso é viver com ousadia!”.

Sejamos, por isso, ousados aceitando a vulnerabilidade como um ato não só necessário mas corajoso.

Votos de bom serviço, repleto, de vulnerabilidade! 😉

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