Onde está a copa?

Onde está a copa? É o título do artigo, mas a pergunta é “onde está a copa onde antigamente se falava e confraternizava e até se confessavam uma série de novidades da empresa ou mesmo viroses?”.

O regresso aos escritórios trouxe uma série de novidades neste mundo que se transformou após 2 anos de pandemia.

A flexibilidade, que uma boa parte das empresas está a implementar, é apenas uma das características desta nova fase do Mundo. Mas há muito mais que mudou.

Visito, com bastante regularidade, uma série de empresas e escritórios onde, às vezes, vou só de passagem e, outras vezes, em trabalho de campo, ou seja, passo lá um ou mais dias a falar com as pessoas, a observar e a conviver com a realidade da organização.

Recentemente, numa reflexão de fim de dia, percebi que a copa já não tinha a mesma dinâmica. Existiram tempos, nos anos 90, a que chamava a copa de “confessionário”.

Era garantido que se alguém me perguntava “quer tomar um café?” havia um qualquer desabafo pronto a sair. Por outro lado, era muitas vezes na copa que as melhores ideias surgiam. Tal como em bootcamps ou workshops onde, tantas vezes, o melhor surge nos coffee-breaks ou almoço.

Nas últimas empresas por onde andei a fazer trabalho de campo percebi, porém, que as vezes em que ia à copa não encontrava quase ninguém, ou se encontrava era de passagem.

Sem correr o risco de generalizar percebi então que o que se passa em muitas organizações é que o hábito do tele-trabalho ou de estar em casa ao serviço foi trazido em parte para os escritórios. As pessoas vão à copa mas trazem o café ou o chá ou mesmo o lanche para o posto de trabalho, junto ao computador. Muitas pessoas estão a fazer as pausas em frente ao ecrã, ou seja, sozinhas com a web!

Reforço que não vou generalizar este fenômeno mas do ponto de vista da cultura de serviço e da inteligência coletiva e social da organização este tema requer atenção.

Dei comigo, então, a pensar no que pode ser feito para combater uma espécie de síndrome de isolamento.

Quando me surgem estas questões sempre coloco a questão “se a empresa fosse minha o que faria?” .

Não havendo, como nunca há, uma formula mágica talvez começasse por dinamizar momentos de pausa em conjunto, sejam eles pela manhã ou meio da manhã ao estilo coffee break ou mesmo fim de dia. Não o faria fora de horas mas sim, durante as horas de trabalho. Ao estilo “recreio” sem nenhuma conotação infantil. Tentaria a pouco e pouco trazer de volta o sentimento de que é bom dar dois dedos de conversa ao vivo e a cores.

Paralelamente comunicar esse fenômeno e convidar os lideres a faze-lo com as suas equipas poderá ser um caminho que ajude.

Se a esta altura está a pensar que a situação pode contribuir para melhorar a produtividade digo-lhe que há um sítio onde, curiosamente, as pessoas continuam a encontrar-se e dar “dois dedos” de conversa. A questão é que, não só não é nada saudável, como não é apetecida por todos. A zona de fumadores!

Em conclusão, não se trata de fomentar aquele fenômeno de ter muitas pessoas que estão mais tempo na copa do que a trabalhar, trata-se, isso sim, de não perder os momentos de descontração em equipa e não os fazer exclusivamente de forma individual.

Fará sentido? Honestamente não sei mas, que é uma realidade visível em muitas organizações asseguro-lhe que sim!

Votos de bom serviço!

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