A organização ideal – Parte II

Na continuação do artigo da semana passada hoje dedico-me a escrever sobre a essência das 3 dimensões centrais do modelo de Schutz: Inclusão, Controlo e Abertura.

Relembro que este é um modelo baseado no desenvolvimento da autoconsciência e da autoestima.

De acordo com o autor, da mesma forma que podemos criar todas as cores a partir da combinação das 3 cores básicas, também nas organizações podemos tratar todas as problemáticas de um grupo com estas 3 noções de inclusão, controlo e abertura.

Inclusão: alguém que não se sente incluído, que se sente ignorado, pode ficar muito desmotivado.

Trata-se de estar IN ou OUT de um grupo.

A inclusão trata do sentimento da pessoa se sentir parte de equipa e para isso é importante que sinta que existe e que tem uma razão de ser nesse grupo ou equipa.

Um elemento tem vontade de fazer parte de uma equipa se a ambição e propósito da equipa fizerem sentido para ele, bem como, se os valores e comportamentos associados a essa equipa fizerem sentido para a pessoa.

Por outro lado, um elemento sente-se importante quando a sua opinião conta, i.e., é respeitado e reconhecido como parte da equipa. Não tem dúvidas sobre o seu contributo pessoal porque o seu papel está bem definido e os seus objetivos são claros.

Por trás desta noção de importância ou inclusão está o medo de ser ignorado ou abandonado.

O tema é, por isso, “importância – eu existo”

Controlo: se o outro me colocar numa situação que não me sinto capaz de gerir posso ficar muito zangado/desmotivado.

Se o elemento já está incluído é fundamental definir as “regras do jogo”.

A grande maioria dos problemas ou conflitos que surgem num grupo são fruto de lutas de poder ou proteção de “território”.  É, por isso, fundamental definir as relações de poder, de autoridade e de influência entre os vários elementos.

Para que a dimensão de controlo nas equipas seja bem estabelecida é fundamental que cada um saiba quais as regras e as prioridades e que conheça, de forma clara, as informações necessárias e pertinentes para levar a cabo o seu trabalho. Cada elemento conhece o seu objetivo pessoal e qual o seu contributo para o objetivo global tendo disponíveis os meios necessários para cumprir com as tarefas e os objetivos.

Através do controlo chegamos ao tema da “competência – eu sou competente”.

Em suma, sinto-me competente quando tenho a sensação que o outro confia em mim e na minha capacidade de tomar decisões. Considero o outro competente e aceito, com agrado, feedbacks positivos e responsabilidades.

Quando há inclusão e as regras são bem definidas, estão reunidas as condições para haver “abertura”.

Abertura: uma pessoa que se sinta muito simpática não é tão afectada pelos sentimentos negativos dos outros em relação a ela própria.

A abertura está diretamente relacionada com o grau de sinceridade que existe numa equipa.

Há abertura nas equipas quando:

O Líder

  • Escuta e tem empatia, lealdade e respeito;
  • Transmite informação de forma honesta e adequada;
  • Dá feed-back positivo em relação ao progresso e não só em relação aos resultados;
  • Permite o debate, aceita os erros e transforma-os em oportunidade de aprendizagem;
  • Sabe gerir os desacordos antes que se transformem em conflitos.

Cada um na equipa

  • Têm confiança em si e nos outros
  • Dá e sabe receber sinais de reconhecimento e feed-back positivo.

A abertura esta diretamente relacionada com o tema “amabilidade – eu sou amável” .

Para Shutz as dificuldades que surgem nas equipas são devidas à rigidez e defesas inerentes a uma auto-estima baixa e não às diferenças entre as pessoas.

Para aumentar a eficácia de uma equipa é fundamental trabalhar sobre os indivíduos que as compõem. E só trabalhando as equipas e os seus elementos conseguimos experiências Cliente e Colaborador únicas e marcantes.

Votos de bom serviço!

 

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